domingo, 4 de dezembro de 2011
Pesadelo Constante.
Vi as cores mais claras e belas rodeando as pessoas. Todas felizes, pulando, sorrindo, dançando, cantando, amando...Descalços, sorridentes, e despreocupados. Como se não houvesse nada a que temer - e realmente não havia. Estávamos de mãos dadas, passeando por um lugar totalmente iluminado pelo sol, mas com um arzinho fresco de final de tarde. Nem tão quente, nem tão frio, equilibrado. Nós nunca olhávamos para trás, seguíamos em frente como se nada pudesse nos deter, como se tudo estivesse em paz. Sem previsões de chuva, sem calor demais, sem tristeza, sem melancolia ou monotonia. Estava tudo sintonizado, bonito de se ver, de se presenciar. Corríamos em direção à um lago, vazio e escuro. Nos sentamos em um banco velho de madeira, parados observando a escuridão da noite chegar.E tudo escureceu, mas a alegria permanecia naquele lugar, era apenas a noite caindo, e atraindo os olhares atentos às primeiras estrelas a surgirem no céu. Fomos felizes, contagiados pela felicidade transmitida por aquele lugar. O lugar dos sonhos, das cores, e dos sorrisos mais lindos e sinceros estampados nos rostos, que só por sorrirem, se faziam bonitos. Sem testa franzida, sem hora marcada, sem nenhuma solidão, sem limitação. Mas parecia bom demais para ser verdade. Inclusive senti uma pontinha de desconfiança e medo por alguns instantes. Subitamente, as pessoas começaram a correr de um lado para o outro, sem saberem para onde ir. Senti minha mão ser tocada por várias outras, senti meu pé sendo pisoteado por desesperados correndo sem olharem por onde pisavam. Ouvi um estrondo, gritos, e trovões assustando os animais que por sua vez também estavam se refugiando de alguma coisa, da qual eu ao menos imaginava o que fosse. Me vi parada, à observar todo aquele rebuliço. Pensei em correr ou perguntar o que estava havendo... Mas desisti. Por fim, me encontrei sozinha naquele lugar. Sem luz, e vi meu sonho se transformando num pesadelo, do qual não sabia como me livrar. Era o que eu temia. A realidade estava me chamando de volta, o sonho havia acabado. Ainda pude escutar uma voz me acordando e me sacudindo enquanto eu dormia, como se fosse essa mesma coisa que me acordava que havia colocado aquele pesadelo terrível no lugar de meu sonho tão calmo, tão suave... Despertei. Olhei ao redor, e quando me dei conta da hora, percebi que já estava na hora de acordar pro meu mais antigo pesadelo : a realidade.
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